segunda-feira, 21 de março de 2011

Sorriso.

Postado por Laryssa Saboya às 05:00 3 comentários

Sorriso, diz-me aqui o dicionário, é o acto de sorrir. E sorrir é rir sem fazer ruído e executando contracção muscular da boca e dos olhos.
O sorriso, meus amigos, é muito mais do que estas pobres definições, e eu pasmo ao imaginar o autor do dicionário no acto de escrever o seu verbete, assim a frio, como se nunca tivesse sorrido na vida. Por aqui se vê até que ponto o que as pessoas fazem pode diferir do que dizem. Caio em completo devaneio e ponho-me a sonhar um dicionário que desse precisamente, exactamente, o sentido das palavras e transformasse em fio-de-prumo a rede em que, na prática de todos os dias, elas nos envolvem. Não há dois sorrisos iguais. Temos o sorriso de troça, o sorriso superior e o seu contrário humilde, o de ternura, o de cepticismo, o amargo e o irónico, o sorriso de esperança, o de condescendência, o deslumbrado, o de embaraço, e (por que não?) o de quem morre. E há muitos mais. Mas nenhum deles é o Sorriso.
O Sorriso (este, com maiúsculas) vem sempre de longe. É a manifestação de uma sabedoria profunda, não tem nada que ver com as contracções musculares e não cabe numa definição de dicionário. Principia por um leve mover de rosto, às vezes hesitante, por um frémito interior que nasce nas mais secretas camadas do ser. Se move músculos é porque não tem outra maneira de exprimir-se. Mas não terá? Não conhecemos nós sorrisos que são rápidos clarões, como esse brilho súbito e inexplicável que soltam os peixes nas águas fundas? Quando a luz do sol passa sobre os campos ao sabor do vento e da nuvem, que foi que na terra se moveu? E contudo era um sorriso.

José Saramago.

sábado, 5 de março de 2011

Atenção.

Postado por Laryssa Saboya às 07:04 2 comentários

Silêncio agora, sua voz parece há milhas de distância, é como se de alguma forma eu ouvisse sua canção ecoando um pouco mais macia a cada dia e atravessa meu coração cansado, um pouco distante. Eu cantarei o dia todo sem interrupção, apenas faça o possível para me ouvir, é tudo o que você pode fazer. Você tem minha atenção, como você tem tido todo o tempo, desde daquele primeiro dia que você fez meu coração sorrir com olhos amáveis e tristes suspiros. Você tem minha atenção como um grito ininterrupto em um santuário vazio. Fale em um sussurrou e eu ouvirei um sermão, você tem minha atenção.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Fatos.

Postado por Laryssa Saboya às 16:09 1 comentários

Eu sei que vou. Insisto na caminhada. O que não dá é pra ficar parada. Se amanhã o que eu sonhei não for bem aquilo, eu tiro um arco-íris da cartola. E refaço. Colo. Pinto e bordo. Porque a força de dentro é maior. Maior que todo mal que existe no mundo. Maior que todos os ventos contrários. É maior porque é do bem. E nisso, sim, acredito até o fim. O destino da felicidade, me foi traçado no berço.






Num deserto de almas também desertas, uma alma especial reconhece de imediato a outra.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

ColoRIR

Postado por Laryssa Saboya às 04:06 2 comentários

Ô minha filha, as suas dores não são as maiores do mundo e nem vão ser. Sacode a poeira. Toma um banho de rio. Abre essas asas. Grita alto, chora baixo. Pula alto e cai de cara. Desenha toda a beleza do mundo. Compra uma caixa de lápis de cor e sai aí colorindo a vida.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Por nada.

Postado por Laryssa Saboya às 05:22 1 comentários

Não te pedi nada, mas no fundo eu queria alguma coisa, e você sempre submisso fizeste como eu queria, não me destes nada, e no fim ficou por isso mesmo. Eu sem ''querer'' nada e você sem me dar nada.

Scamp, Lary

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Três pontos.

Postado por Laryssa Saboya às 07:16 1 comentários

História escrita a lápis, lápis-borracha para tudo ser mais prático. Escrita de qualquer jeito, torta, em linhas invisíveis. Com um início de perder o fôlego, mas com um eterno três pontinhos num final que nem existe. Os três pontinhos são o que me matam, ponto final seria a dureza clara e o fim da história, três pontinhos são o que me matam.

Template by:

Free Blog Templates